AULA GRATUITA: terça | 06 de outubro | 10h30 BRT
Minicurso com Maura Voltarelli
Terças | 10h às 12h BRT | 20/10, 27/10, 03/11 e 10/11
Aulas ao vivo via Zoom
Certificado de conclusão
Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso
Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações:
contato@centroculturalastrolabio.com
Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional) em até 5 vezes sem juros
5x de R$104 sem juros no cartão de crédito
R$520,00
Com Maura Voltarelli: crítica literária, professora e pesquisadora com mestrado e doutorado em Teoria e História Literária pela UNICAMP, e pós-doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É autora dos livros O Sequestro da Ninfa (2024), sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, e Amar, depois de perder: uma poética da Ninfa (2021), Nymphé e outros poemas (2014) e de diversos artigos sobre literatura brasileira, teoria e crítica literária e artes visuais. Atualmente, realiza um segundo pós-doutorado na Unicamp, onde também dá aulas.
Em seu quadro A leitura abandonada (1924), o pintor suíço Félix Valloton explora um tema recorrente na história da arte: o da mulher lendo. No caso desta tela, a leitura resta em suspenso e o olhar penetrante da figura feminina se desloca das páginas do livro em que estava imerso para o espectador da pintura.
A partir da singular relação que o universo feminino estabelece com a leitura, o curso toma como inspiração diversas figurações de mulheres lendo, seja na pintura, seja na literatura, para explorar, a partir de cenas e instantes de leitura registrados por escritores e artistas, os afetos contraditórios em jogo no ato de ler.
Na literatura brasileira, vamos vislumbrar a cena íntima das leitoras de José de Alencar (Diva, Senhora, Til), Machado de Assis (Helena, Mariana de “O capítulo dos chapéus”), Clarice Lispector (Joana, de Perto do coração selvagem, a narradora de “Felicidade Clandestina”) e As Meninas leitoras de Lygia Fagundes Telles; além de trazer célebres leitoras como Emma Bovary e Luísa, do romance de Eça de Queirós O Primo Basílio, entre outras figuras femininas para as quais ler significava, antes de tudo, um gesto de transgressão, um modo de emancipação e liberdade.
Para muitas dessas personagens, tal como se insinua na tela de Valloton e também em pinturas envoltas em certa aura assombrosa como A leitora (1889-1890), de Jean-Jacques Henner, ler é um ato erótico por excelência, movido pela potência do desejo, onde a intensidade da vida convoca a morte.
Como tão bem disse Pascal Quignard em O leitor, “se os livros são o alimento do espírito, eles são, então, um alimento mortal”. Diante da sedução que exercem os atos da ficção, o leitor, segundo ele e, para nós, a leitora, experimenta um assombro onde “o mundo falha […] a alma se perde, se suja e se agita em vão”, entregando-se a um abandono muito próximo daquilo que Machado de Assis chamou em “A causa secreta” de “um vasto prazer, quieto e profundo”.
Programa das aulas:
1. “A leitura abandonada”: as leitoras na arte, de Valloton a Picasso
2. “quieto e profundo”: o enigma da leitura em Alencar e Machado de Assis
3. As meninas e sua felicidade clandestina: leitoras de Clarice e Lygia
4. “amara a literatura pelas suas excitações passionais”: o gesto transgressivo de ler
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