AULA GRATUITA: quarta | 02 de setembro | 19h30 às 20h BRT
Minicurso + Oficina de escrita
com João Paula
Quartas | 19h30 às 21h30 BRT | 16/09, 23/09, 30/09 e 07/10
Aulas ao vivo via Zoom
Certificado de conclusão
Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso
Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações:
contato@centroculturalastrolabio.com
Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional) em até 5 vezes sem juros
R$520,00
Com João Paula: professor, escritor e tradutor. Pós-graduado em Literatura, Artes e Filosofia pela PUC-RS e em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz. Especialista em Literatura Francesa e autor de Nossa Parte do Tempo (Penalux, 2023).
Um lugar pode ser habitado de muitas maneiras, e uma delas é escrevendo-o. A cidade é um assunto privilegiado na literatura moderna, concentrando uma infinidade de experiências que instigam e desafiam a criatividade de autoras/es. O panorama monumental, a deriva do flâneur, a arqueologia da memória e o registro do cotidiano anônimo são algumas das inúmeras possibilidades narrativas que dão forma a uma longa tradição. Pela imaginação, pela memória e pelo simples ato de caminhar, escritoras e escritores recriam suas cidades e revelam espaços reais ou imaginados, em tempos diversos.
Neste curso, que inclui uma minioficina, vamos ter uma visão de diferentes enfoques do tema da cidade na literatura francesa, por meio de obras de referência de quatro escritores: Victor Hugo, Charles Baudelaire, Patrick Modiano e Annie Ernaux, mostrando e discutindo os recursos literários particulares que desenvolvem na construção do espaço em suas narrativas. A partir da leitura e análise de trechos selecionados, as/os participantes serão convidados a exercitar sua escrita por meio de exercícios guiados, explorando a criação de cenários, a descrição do espaço físico e as relações entre o eu e a cidade.
PROGRAMA DAS AULAS
Apresentação e leitura de trechos selecionados do clássico de Victor Hugo, com ênfase no capítulo “Paris a voo de pássaro” (Paris à vol d’oiseau), em que o narrador se eleva sobre a cidade medieval e descreve as camadas de tempo sobrepostas que a constituem. Vamos discutir os recursos que sustentam essa construção do espaço: a descrição panorâmica e enciclopédica, a digressão como método, a personificação da cidade e a tese hugoana de que a arquitetura é o grande livro da humanidade.
Leitura de poemas em prosa de Baudelaire, nos quais a escrita da cidade evoca o transitório, o choque, o encontro fugaz. Partiremos da célebre carta-dedicatória a Arsène Houssaye, em que Baudelaire expõe o sonho de uma prosa poética, sem rima e sem ritmo fixo, nascida da frequentação das grandes cidades e do cruzamento de suas inúmeras relações. Analisaremos a figura do flâneur, o mergulho na multidão e a Paris transformada por Haussmann. O fragmento, a alegoria e a correspondência entre o estado interior (o spleen) e a paisagem exterior serão os recursos centrais em discussão.
Como em outras obras de Modiano, neste livro, a cidade se revela como um palimpsesto em que endereços, ruas e números de porta funcionam como pistas de uma história que a metrópole encobriu. Vamos examinar os recursos dessa escrita da ausência: a precisão topográfica quase obsessiva, a investigação como estrutura narrativa e o entrelaçamento entre memória pessoal e história coletiva.
No último encontro, o olhar sai do centro histórico e monumental e se volta para a periferia contemporânea: a cidade nova, o subúrbio e, sobretudo, o hipermercado como novo espaço público do nosso tempo. Em Olhe as luzes, meu amor, Annie Ernaux transforma o lugar mais banal e anônimo (o “não-lugar” do consumo) em objeto literário. Discutiremos os recursos dessa escrita: a forma do diário, o olhar etnográfico e sociológico sobre os gestos coletivos e as classes sociais.




Nosso whatsapp