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ESCREVER O PAI: narrativas de filiação na literatura francesa

AULA GRATUITA: segunda | 26 de outubro | 19h30 às 20h BRT

 

Minicurso + Oficina de escrita com João Paula

📅 Segundas | 19h30 às 21h30 BRT | 09/11, 16/11, 23/11 e 30/11

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ESCREVER O PAI: narrativas de filiação na literatura francesa

Com João Paula: professor, escritor e tradutor. Pós-graduado em Literatura, Artes e Filosofia pela PUC-RS e em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz. Especialista em Literatura Francesa e autor de Nossa Parte do Tempo (Penalux, 2023).

 

Poucas figuras atravessam a literatura com a insistência do pai. Escrevê-lo é quase sempre um modo de voltar à própria origem, numa tentativa de reivindicá-la, acertar contas ou recuperar o que dela se perdeu. Da homenagem à acusação, da lembrança afetuosa ao confronto com a autoridade, as/os escritoras/es encontraram nessa relação um terreno inesgotável, capaz de reunir o mais íntimo e o mais social. As/Os autoras/es francesas/es, em particular, fizeram do pai um lugar privilegiado para pensar a memória, a classe e o pertencimento.

Neste curso, que inclui uma minioficina, vamos acompanhar quatro maneiras distintas de dar forma literária a essa figura: Marcel Pagnol (A glória de meu pai), Albert Camus (O primeiro homem), Annie Ernaux (O lugar) e Édouard Louis (Quem matou meu pai). A cada encontro, a leitura de trechos servirá de ponto de partida para discutir os recursos que cada autor/a mobiliza e para que as/os participantes experimentem sua própria escrita em exercícios guiados, voltados à construção de uma figura, real ou ficcional. Trabalharemos a memória familiar e a relação entre quem narra e quem é narrado.

 

PROGRAMA DAS AULAS

 

  1. A glória de meu pai, de Marcel Pagnol

Primeiro volume das Memórias de infância de Pagnol, o livro reconstrói uma infância provençal em torno de Joseph, o pai professor primário. Leremos passagens em que a admiração filial se constrói pelo humor e pelos detalhes cotidianos, tendo como pano de fundo as paisagens da Provence. Analisaremos de perto o célebre episódio da caçada, ponto alto do livro, para observar como a figura do pai se ergue sem recorrer à idealização.

 

  1. O primeiro homem, de Albert Camus

Neste livro, Camus dá a Jacques Cormery a tarefa de reconstruir um pai que mal conheceu, morto na Primeira Guerra quando o filho era ainda um bebê. A cena diante do túmulo abre uma escrita feita de rastros, testemunhos e lacunas. Discutiremos como se constrói uma figura da qual quase nada restou: a busca como estrutura, o pai como ausência a preencher e a fronteira incerta entre memória, invenção e documento.

 

  1. O lugar, de Annie Ernaux

Ernaux parte da morte do pai para reconstituir a trajetória de um homem que saiu do campo e da fábrica para abrir um pequeno comércio, evidenciando a distância que os estudos foram cavando entre ele e a filha. Trabalharemos a chamada écriture plate (a escrita despojada, que renuncia ao lirismo para não trair o mundo do pai), o olhar atento aos gestos e à linguagem como marcas de classe, e a filiação vivida como afastamento e como dívida.

 

  1. Quem matou meu pai, de Édouard Louis

No último encontro, discutiremos um livro breve e direto, dirigido ao próprio pai, evocando o corpo desgastado pelo trabalho na fábrica e por um acidente, que o autor associa a decisões políticas concretas. Examinaremos os recursos dessa escrita de acusação e reconciliação: o uso da segunda pessoa, a montagem em fragmentos, o corpo tomado como registro da condição social e a passagem do relato íntimo ao gesto de denúncia.

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