AULA GRATUITA: quinta | 19 de novembro | 19h30 às 20h BRT
Minicurso + Oficina de escrita com Francielly Baliana
Terças e quintas | 19h30 às 21h30 BRT | 08/12, 10/12, 15/12 e 17/12
Aulas ao vivo via Zoom
Certificado de conclusão
Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso
Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações:
contato@centroculturalastrolabio.com
Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional)
5x de R$104 sem juros no cartão de crédito
R$520,00
Com Francielly Baliana: professora do Departamento de Letras da UNIRIO, realiza pós-doutorado em Literatura na UNIFESP, com pesquisa sobre narrativas oníricas. Doutora em Teoria Literária pela USP. Autora de Oração nos Trópicos (2026), Relinchos (2023), Esse mito, a história (2020) e Um já que jaz (2018).
Como sugere Ailton Krenak, sonhar pode ampliar os horizontes da existência. E se o sonho não fosse apenas uma experiência noturna, mas também matéria de escrita? Neste minicurso, vamos propor um mergulho no sonho como espaço do corpo, da memória e da imaginação — um convite a interrogar os modos como organizamos nossa própria experiência do tempo.
Interessa-nos, sobretudo, a passagem do sonho à linguagem: como transformar em narrativa uma experiência feita de imagens fragmentadas, cortes, deslocamentos, repetições, esquecimentos e associações inesperadas? É esse o enigma — e o prazer — que percorrerá todos os nossos encontros.
Cada aula combinará leitura, conversa, diferentes linguagens artísticas e exercícios de criação, em um percurso que também será espaço de experimentação. Vamos trabalhar com sonhos lembrados e esquecidos, imagens involuntárias, lapsos, pesadelos, estados de vigília e memórias que o corpo guarda sem que percebamos. Para isso, cada participante construirá seu próprio caderno de sonhos — um repositório pessoal de palavras, desenhos, imagens e fragmentos, que se tornará matéria viva para poemas, narrativas, cartas, inventários e formas híbridas de escrita.
O curso parte do sonho mais íntimo e vai ampliando sua escala: do inconsciente às formas coletivas e cosmológicas de sonhar; da memória às suas lacunas e silêncios; da experiência individual às imagens atravessadas por ancestralidade, território e comunidade. E chegaremos, ao final, ao pesadelo — pensado não como ameaça, mas como arquivo e matéria de transformação.
Ao longo do percurso, uma pergunta nos acompanhará: o que o sonho pode fazer com a escrita — e o que a escrita pode fazer com o sonho?
PROGRAMA DAS AULAS
1 — Sonhar consigo, sonhar com o outro
Partiremos da concepção freudiana do trabalho do sonho — condensação, deslocamento, elaboração e memória — e de seus deslocamentos pela esquizoanálise, sobretudo da crítica à redução do desejo ao drama familiar. Em diálogo com Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro, ampliaremos a discussão para pensar o sonho como experiência coletiva, forma de conhecimento e produção de mundo.
Exercício de escrita: É possível cartografar o inconsciente?
2 — Ensaiar uma língua acordada
Investigaremos alguns procedimentos da linguagem onírica — cortes, repetições, metamorfoses, deslocamentos espaciais, alterações de escala e causalidades inesperadas — a partir de autores como Franz Kafka, Jorge Luis Borges, Leonora Carrington e Carola Saavedra. O esquecimento será pensado como parte da própria forma do sonho e como espaço de invenção literária.
Exercício de escrita: O sonho é também o que dele se esquece?
3 — Encruzilhadas oníricas
Deslocaremos o sonho da interioridade individual para suas dimensões ancestrais, coletivas e cosmológicas. A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, será colocada em diálogo com o tempo espiralar de Leda Maria Martins, a linguagem de Stela do Patrocínio, a consciência fronteiriça de Gloria Anzaldúa e o pensamento de Nego Bispo sobre território e comunidade.
Exercício de escrita: Como imaginar uma comunidade?
4 — Uma carta ao pesadelo
Pensaremos o pesadelo como inscrição de experiências subjetivas e históricas e como arquivo de violência, perda e transformação. Roberto Bolaño, Anne Carson e Patti Smith serão aproximados das imagens de corpo, colapso e território presentes no ritmo de Nação Zumbi, para investigar como a criação pode reelaborar imagens recorrentes sem necessariamente resolvê-las.
Exercício final: Ainda é preciso acordar?




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