Onde a literatura encontra o mundo.

UM DESEJO TODO SEU: relendo mulheres e ficção com Virginia Woolf

AULA ABERTA E GRATUITA: quinta | 16 de abril das 19h30 às 20h BRT

 

Minicurso

com Maura Voltarelli

📅 Quintas | 19h30 às 21h30 BRT | 07/05, 14/05, 21/05 e 28/05

🖥️ Aulas ao vivo via Zoom

📝 Certificado de conclusão

⏰ Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso

🎁 Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações: contato@centroculturalastrolabio.com

💳 Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional) em até 5 vezes sem juros

R$480,00

UM DESEJO TODO SEU: relendo mulheres e ficção com Virginia Woolf

Com Maura Voltarelli: crítica literária, professora e pesquisadora com mestrado e doutorado em Teoria e História Literária pela UNICAMP, e pós-doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É autora dos livros O Sequestro da Ninfa (2024), sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, e Amar, depois de perder: uma poética da Ninfa (2021), Nymphé e outros poemas (2014) e de diversos artigos sobre literatura brasileira, teoria e crítica literária e artes visuais. Atualmente, realiza um segundo pós-doutorado na Unicamp, onde também dá aulas.

 

Tempo livre, dinheiro e um quarto só para si. Publicado em 1929, o ensaio Um teto todo seu, de Virginia Woolf, foi construído a partir de duas palestras proferidas pela autora a respeito do tema “Mulheres e ficção”. Ao considerar que esses dois assuntos permanecem como problemas não resolvidos, Virginia Woolf encontra uma outra maneira de falar de ambos, preservando o que eles têm de fugitivo e paradoxal. Nesse minicurso, você vai refazer o percurso lírico e pungente traçado por Woolf nesta espécie de flânerie ensaística e revisitar alguns de seus “lampejos de genialidade”, seus ritmos, sua “liberdade de pensar nas coisas em si”. 

 

Em Um teto todo seu, a ficção – esse mundo onde as mulheres “têm brilhado como um farol em todos os trabalhos de todos os poetas desde o princípio dos tempos” – se insinua feminina por natureza ou o lugar por excelência onde o feminino pode existir na sua pulsão de vida e liberdade, de acordo com a potência de fascinação e transgressão que lhe é própria. A ficção revela-se, então, um espaço perturbado pelo páthos do feminino, desestabilizado pela emoção intensa que atravessa os textos escritos por mulheres a partir, sobretudo, do século XIX. Com Virginia Woolf, vamos reler alguns desses textos, passando também por outros ensaios da autora como “Mulheres e ficção”, “Relendo romances” e “Jane Eyre e O morro dos ventos uivantes”, no qual ela relembra a personalidade forte de Charlote Brontë que fez explodir no corpo de sua personagem o seu vulcão de afetos indomáveis: “Eu amo, eu odeio, eu sofro”, exclama Jane Eyre, culpada por simplesmente desejar: “então, eu ansiava por um poder da visão que ultrapassasse aquele limite; […] Quem me culpa? Muitos sem dúvida, e me chamarão de insatisfeita. Não podia evitar: a inquietação era da minha natureza;”. Estamos diante da célebre “insatisfação romântica” que fez aumentar o contingente de mulheres histéricas no século XIX, cindidas entre seus mais profundos desejos e a mais violenta repressão. Para pensar essa cisão na subjetividade e o ardor latente que vêm à tona na escrita feminina da época, vamos ler e comentar passagens dos romances Jane Eyre (1847) e O morro dos ventos uivantes (1847), das irmãs Charlotte e Emily Brontë respectivamente, seguindo de perto as impressões de Woolf sobre esses dois livros que ela tanto admirava. 

 

Como pensar, a partir da modernidade, o lugar desse “espasmo de dor” que, segundo Woolf, maculava os livros escritos pelas mulheres no século XIX por mais esplêndidos que fossem? “Havia uma falha no meio dele”, escreveu Woolf sobre Jane Eyre. Como problematizar essa “falha” na escrita feminina do século XX e no limiar do século XXI? Para desdobrar essa questão, vamos ler e comentar passagens do livro As ondas (1931), de Virginia Woolf e, em diálogo com o ritmo particular dessa escrita, com o fluxo e o refluxo que marcam sua ressaca de afetos, vamos, por fim, nos debruçar sobre alguns contos reunidos em O amor de uma boa mulher (1998), da escritora canadense Alice Munro, onde somos perturbados pelo “poder sugestivo” característico da escrita feminina ou, pensando que as “grandes mentes são andróginas” como escreveu Woolf, talvez seja melhor falar em uma escrita feminina-masculina, aquela que sempre guarda, ainda segundo Virginia Woolf, “um lampejo da mulher dentro de si”. 

 

PROGRAMA DAS AULAS 

1. Um teto todo seu: uma flânerie feminina e ensaística

2. “Esse ardor mesmo”: a escrita vulcânica de Charlotte e Emily Brontë 

3. As ondas de Virginia Woolf ou uma ressaca de afetos

4. “uma dessas pessoas que escapam”: os contos de Alice Munro 

Veja também

CLUBE BR | Maio

Flavia Carvalho
📅terça | 26/05 | 19h30 às 21h BRT
📅quinta | 28/05 | 10h30 às 12h BRT

OFICINA DE CRIAÇÃO DE PERSONAGENS

Bethania Pires Amaro
📅 Sábados: 11/04, 18/04, 25/04 e 09/05
10h às 12h BRT

SALOMÉ EM CENA: a dança e o trágico na arte e na literatura

Maura Voltarelli
📅 Quartas: 01, 08, 15 e 22 de abril
19h30 às 21h30 BRT

Formulário para participar da aula aberta - UM DESEJO TODO SEU: relendo mulheres e ficção com Virginia Woolf