Aulão com Deise Abreu Pacheco
Segunda | 19h às 22h BRT | 07 de dezembro
Aulas ao vivo via Zoom
Certificado de conclusão
Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso
Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações:
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Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional)
5x de R$44 sem juros no cartão de crédito
R$220,00
Com Deise Abreu Pacheco: professora, pesquisadora e escritora. Atualmente realiza pesquisa de pós-doutorado em Letras na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É graduada, mestre e doutora em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com estágio doutoral em Filosofia no Søren Kierkegaard Research Centre, da Universidade de Copenhague. É autora de Assistir e ser assistida: via e limites de uma estética existencial. Um percurso por escritos de Søren Kierkegaard (Hucitec Ed., 2021), de Começando Albertina (nossa vida no armário nos anos 90) (Editacuja, 2023), entre outras publicações.
Em 1952, sob o pseudônimo de Claire Morgan, a escritora estadunidense Patricia Highsmith publicava The Price of Salt (O Preço do Sal), romance posteriormente intitulado Carol. Fenômeno de público desde seu lançamento, a obra circulou durante décadas sob pseudônimo, até ser republicada em 1990 com o título de Carol e assinada por Patricia Highsmith, acompanhada de um posfácio em que a autora retoma a gênese do romance. Escrita em um período marcado pelas tensões do Macarthismo e por um amplo clima de perseguição política e moral nos Estados Unidos, a narrativa surgiu em meio ao chamado Red Scare, o “Pânico Vermelho”, e ao Lavender Scare, o “Pânico Lilás”, contexto de intensa repressão à homossexualidade.
Carol tornou-se um marco da literatura do século XX ao apresentar a relação amorosa entre duas mulheres sem submetê-las aos destinos que, com frequência, eram reservados às personagens lésbicas na ficção da época: a punição, a morte ou a conformação obrigatória aos padrões heteronormativos. Em vez disso, Highsmith lhes oferece um futuro possível, um desfecho aberto que permite imaginar a continuidade da relação entre as duas.
Décadas mais tarde, essa história ganhou nova vida no cinema com Carol (2015), dirigido por Todd Haynes. O filme foi resultado de um longo processo para chegar às telas, que contou com a persistência da roteirista Phyllis Nagy, amiga pessoal de Highsmith, e da atriz Cate Blanchett, que, além de protagonizar o filme, também integrou a produção executiva do projeto. Com Blanchett, Rooney Mara e Sarah Paulson no elenco, fotografia de Edward Lachman e figurinos de Sandy Powell, a obra reacendeu o interesse público e revelou a escrita de Highsmith para uma nova geração de leitoras/es e espectadoras/es. Ao traduzir para a linguagem cinematográfica a atmosfera singular do romance, o filme tornou-se também uma das mais celebradas adaptações da obra de Highsmith.
Neste aulão, romance e filme serão colocados lado a lado, em um percurso que busca observar tanto aquilo que está no romance e não está no filme, quanto aquilo que o filme acrescenta, desloca ou propõe a partir da narrativa de Highsmith. A leitura de trechos de O Preço do Sal acompanhará esse percurso, permitindo aproximar as duas obras e perceber o que se transforma — e o que permanece — na passagem do romance para o cinema.
Dezembro ocupa um lugar especial na história de O Preço do Sal/Carol. Foi durante o período do Natal que Patricia Highsmith, então trabalhando temporariamente em uma grande loja de departamentos de Manhattan, avistou a mulher que inspiraria a personagem Carol e daria origem ao romance. Não por acaso, tanto o livro quanto o filme são atravessados pelo clima das festas de fim de ano e pelas expectativas associadas à família e aos vínculos afetivos. Em contraste com as imagens de celebração tradicionalmente associadas ao Natal, Carol e Therese experimentam a intensidade de um amor que, naquele contexto, não podia ser plenamente reconhecido nem integrado aos rituais sociais e familiares que marcam essa época do ano. Realizar este aulão em dezembro é também uma forma de revisitar o tempo e as circunstâncias em que essa história começou a ser imaginada.
Programa do aulão:
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