AULA GRATUITA: quarta | 14 de outubro | 19h30 às 20h BRT
Minicurso + oficina de escrita com Dirceu Villa
Quartas | 19h30 às 21h30 BRT | 04/11, 11/11, 18/11 e 25/11
Aulas ao vivo via Zoom
Certificado de conclusão
Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso
Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações:
contato@centroculturalastrolabio.com
Formas de pagamento: pix, boleto e cartão de crédito (nacional e internacional) em até 5 vezes sem juros
5x de R$104 sem juros no cartão de crédito
R$520,00
Com Dirceu Villa: autor de oito livros de poesia, como ciência nova (2022) e Karamuru vorax (2026). Traduziu Joseph Conrad, Ezra Pound, Mairéad Byrne e Jean Cocteau. Mestre em poesia moderna, doutor em Renascimento e pós-doutorado em literatura brasileira. Foi professor de literatura inglesa na UNIFESP e de tradução de poesia na Casa Guilherme de Almeida.
Nos quatro encontros do curso vamos buscar entender a correlação entre ler e escrever poesia.
Considerando que as condições de nossa época tendem a estreitar noções de leitura ao menor texto, ao mais facilmente compreensível e ao mais próximo em tempo e espaço, vamos ver inicialmente o que poetas de diversas épocas apreciavam, e a variedade de experiências textuais a que se expunham com curiosidade, prazer e desejo de ampliar o campo expressivo. Vamos tecer uma crítica dos mecanismos mercantis que têm fechado o acesso à verdadeira diferença, vendendo produtos rotulados como diferentes, mas na verdade atendendo a uma expectativa de identificação imediata, achatando invenção em mero produto para estantes cada vez mais sanitizadas de livrarias que se tornam mercados de poses e opiniões já previamente codificados.
Vamos examinar como o moderno Fernando Pessoa incorpora aspectos da escrita de poetas e escritores e escritoras de passado remoto, como Safo de Lesbos, Horácio, William Shakespeare e Antonio Vieira; vamos observar como o moderno Ezra Pound reconfigura em sua escrita autores como Homero, Ovídio, os trovadores medievais da Provença, a arte verbal antiga da China; como o polonês Zbigniew Herbert e a brasileira Hilda Hilst extraem lições valiosas do método de sentenças claras, exatas e memoráveis dos antigos gregos e romanos; vamos consultar Wisława Szymborska em suas críticas a textos que lhe eram enviados para apreciação, e vamos debater a estrutura retórica antiga, dividida em cinco partes.
O curso terá uma parte expositiva e uma parte prática (não obrigatória).
Todos os textos estrangeiros serão apresentados em tradução para o português.
PROGRAMA DAS AULAS
Primeira aula: Situação atual do letramento. O ataque das novas tecnologias ao pensamento complexo (seja analítico-sintático ou aglutinante-colagístico), padronizando o pensar e sua expressão apenas pelo nível mais elementar possível e comunicável, e o que isso representa não apenas para a poesia e para a prosa ficcional, mas também para a filosofia, a ciência e a arte do debate. Observações de Zygmunt Bauman, Paul Virilio, Vivianne Forrester, Ezra Pound, Thomas Piketty, Yanis Varoufakis, Mike Judge e outras/os.
Segunda aula: A arte como crítica da vida. Baudelaire e a ideia de modernité (modernidade). Rainer Maria Rilke contra a máquina nos Sonetos a Orfeu. Ovídio e Pound atacam a onipresença do comércio como ponto focal da vida. A máquina-Moloch devoradora de vida em Metrópolis (1927), de Fritz Lang. Os três avisos de Karl Marx em “Trabalho alienado”, de 1844. As leituras de Machado de Assis e Fernando Pessoa. Exercício de escrita trans-histórica.
Terceira aula: As cinco partes da retórica antiga, e como estruturavam o pensamento e a escrita (Cícero, Horácio, Quintiliano). A frase lapidar e o clear statement (afirmação direta): gregos e romanos, as três leis do imagismo inglês de 1912, o estilo de Zbigniew Herbert e o de Hilda Hilst. Paul Veyne e o estilo intenso + o manifesto técnico do futurismo. O dínamo de pensamento e imagem na arte verbal iorubá do oriki. Exercício de escrita aglutinante.
Quarta aula: Crítica em ação: ou, como ler pensando. Szymborska e a atividade de estruturar a escrita alheia de modo não-convencional. Ezra Pound e um ABC da leitura. Quanto mais amplo o seu repertório mais ampla sua capacidade de percepção, pensamento e escrita. Forma como Gestalt, ou uma apreensão totalizadora e simultaneísta dos estímulos, daí focalizados numa forma que dinamiza a intensidade da percepção. Repertórios expansivos: o livro como portal.
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