R$1,00 – R$8,00Price range: R$1,00 through R$8,00
Minicurso
com Maura Voltarelli
📅 quartas | 10h às 12h ou 19h30 às 21h30 BRT | 07, 14, 21 e 28 de janeiro
🖥️ Aulas ao vivo via Zoom
⏰ As aulas são gravadas e ficam disponíveis por 30 dias após o término do curso
📝 Certificado de conclusão
🎁 Desconto especial para ex-alunas/os do Astrolabio, estudantes e pessoas acima de 65 anos. Mais informações: contato@centroculturalastrolabio.com
“Um vulcão nunca dorme”, diz o assombroso Krakatoa, de Veronica Stigger, que não se apresenta como um romance no sentido tradicional do gênero e sim como “uma ópera, isto é, uma erupção” sobre vulcões e fantasmas. Neste curso, partiremos dessa inventiva homenagem aos vulcões e ao indomável “pensamento fêmea” neles materializado, para propor um percurso pelos territórios instáveis de diferentes obras literárias que se deixaram fascinar por essa metáfora do inconsciente – em tudo que ele tem de obscuro, profundo e insurgente – que são os vulcões.
Nosso trajeto seguirá com Goethe e sua Viagem à Itália, onde ele reúne suas impressões sobre Nápoles e, especialmente, sobre o Vesúvio, o famoso vulcão que soterrou a cidade de Pompeia em 79 d.C. Mas Goethe não foi o único a “perder a cabeça”, como ele mesmo vai dizer, deixando-se capturar pelo Vesúvio. O vulcão e, em particular, a cidade de Pompeia, também inspirou o romance Arria Marcella: lembrança de Pompeia, de Théophile Gautier, que, em meio a uma atmosfera aurática de névoas e vapores, lança o seu protagonista no fatídico dia da erupção do Vesúvio enquanto ele caminha pelas ruínas de Pompeia. É o “desejo louco” do personagem pelos contornos de um corpo feminino preservados pela lava fria que o precipita nesse mundo desaparecido. A mesma “possessão” por uma figura feminina petrificada, mas, ainda assim, em movimento, que vive depois de morta, recorta o livro de Wilhelm Jensen, Gradiva: uma fantasia pompeiana, celebrado pelos surrealistas e que inspirou o ensaio de Freud sobre os delírios e o sonho.
Nosso percurso também nos conduzirá aos poemas que Emily Dickinson escreveu maravilhada por esses seres de fogo, cujas montanhas antigas e quietas, “Uma Vida – de Vulcão – tranquila”, “Um calmo – estilo de Terremoto”, tal como lemos em um de seus poemas, nos enganam, guardando terríveis tempestades à maneira de um rosto que “quando sobre uma dor Titânica/Os traços mantêm seu lugar –”, nos diz outro de seus poemas sobre vulcões. As imagens poéticas de Dickinson que jorram como verdadeiras erupções de sentido fazem lembrar tantas outras vozes femininas (entre elas, Florbela Espanca que escreveu no poema “Vulcões”: “Tudo é quente lá dentro… e que paixão tamanha”) a espelhar no grito e no som ensurdecedor dos vulcões aquele outro grito ancestral, diria Clarice Lispector, que sobe das entranhas ardentes da terra para dizer da “convulsão tremenda” que é o feminino indevassável feito de desejo e dor, beleza e morte. E ficamos com todas essas belezas furiosas, vulcânicas, vermelhas, porque o vermelho é essa intensidade feita cor a dizer tanto da vida quanto da morte; e porque ele nos conduzirá, por fim, à escritora Anne Carson e sua igualmente inventiva e transgressora Autobiografia do vermelho que é, a um só tempo, uma homenagem aos seres mitológicos, aos vulcões, às vozes femininas e à própria literatura.
Programa:
Aula 1- “Como é belo”: Krakatoa e seus clarões crepusculares
Aula 2 – Pompeia, Vesúvio e os fantasmas: Goethe, Arria Marcella, Gradiva
Aula 3 – “mal sabes tu”: os vulcões íntimos de Emily Dickinson e Florbela Espanca
Aula 4 – Literatura vulcânica: Anne Carson, o vermelho e o tempo
MAURA VOLTARELLI é crítica literária, professora e pesquisadora com mestrado e doutorado em Teoria e História Literária pela UNICAMP, e pós-doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É autora dos livros de crítica literária O Sequestro da Ninfa (2024), sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, e Amar, depois de perder: uma poética da Ninfa (2021), além do livro de poemas Nymphé e outros poemas (2014) e de diversos artigos sobre literatura brasileira, teoria e crítica literária e artes visuais. Atualmente, realiza um segundo pós-doutorado na Unicamp, onde também dá aulas.







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