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SALOMÉ EM CENA: a dança e o trágico na arte e na literatura

Oficina de escrita

com Maura Voltarelli

📅 Quartas | 19h30 às 21h30 BRT| 01, 08, 15 e 22 de abril

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📝 Certificado de conclusão

⏰ Gravações disponíveis por 90 dias após o término do curso

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SALOMÉ EM CENA: a dança e o trágico na arte e na literatura

Com Maura Voltarelli: crítica literária, professora e pesquisadora com mestrado e doutorado em Teoria e História Literária pela UNICAMP, e pós-doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É autora dos livros O Sequestro da Ninfa (2024), sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, e Amar, depois de perder: uma poética da Ninfa (2021), Nymphé e outros poemas (2014) e de diversos artigos sobre literatura brasileira, teoria e crítica literária e artes visuais. Atualmente, realiza um segundo pós-doutorado na Unicamp, onde também dá aulas.

 

“O mistério do amor é muito maior que o mistério da morte”, diz Salomé no célebre drama de Oscar Wilde (1893) que leva o nome da misteriosa e mortífera dançarina que assaltou o imaginário das artes no fin de siècle, convertendo-se em uma espécie de locus communis na passagem para a modernidade. De mero instrumento a serviço da vingança de sua mãe, Herodias, tal como aparece na narrativa bíblica, Salomé se converte, na virada do século XIX para o século XX, na feiticeira, na femme fatale e na histérica subversiva, cujo corpo curvado em arco se insinua numa coreografia ondeante e lasciva. 

 

Nesta oficina, vamos retomar algumas figurações de Salomé na literatura ocidental que datam do período compreendido entre o século XIX e o início do século XX, entre elas, o drama Salomé, de Oscar Wilde, o conto “Herodíade” (1877), de Gustave Flaubert e seu romance Salammbô (1862) e o poema inacabado de Mallarmé “Hérodiade” que ele começa a escrever em 1864, em que as relações entre linguagem e dança se intensificam diante de uma Salomé demoníaca. Próxima da Salomé de Mallarmé, está a “Deusa da imortal histeria” à qual sucumbe o herói do romance Às avessas (1884), de J.K. Huysmans, reconhecida na “Salomé sobre-humana” que das telas de Gustave Moreau salta para as páginas do livro. 

 

Na literatura brasileira, vamos ver os gestos convulsivos de Salomé em autores do Romantismo como Fagundes Varela e José de Alencar com sua trágica e erótica Lucíola (1862), passando por Machado de Assis e sua “Terpsícore” (1886), entre outras personagens com ares de cigana “oblíqua e dissimulada”, chegando a inquietantes figuras femininas espalhadas pelos contos fantasmagóricos de Júlia Lopes de Almeida reunidos em Ânsia eterna (1903), entre eles, “O caso Ruth” em que nos deparamos com uma “morta em êxtase” a dançar com uma alegria maligna de dentro da própria morte. Também vamos fazer uma passagem pela violenta dança de Ana, personagem de Lavoura Arcaica (1975), de Raduan Nassar, que será lida aqui como uma Salomé e bacante anacrônica, mulher ornamental e transgressiva. 

 

Nosso percurso pela literatura será acompanhado pelo diálogo com as artes visuais através de algumas figurações da dança de Salomé e das variações do tema em obras de Botticelli, Ticiano, Donatello, Bernardino Luini, Artemisia Gentileschi, Dominique Ingres, Gustave Moreau, Victor Meirelles, entre outros artistas capturados por essa força feminina e pelo enigma de uma dança a girar em torno do abismo.

 

PROGRAMA:

  1. Salomé: dança e decadência, o espírito trágico e o corpo despedaçado
  2. Beleza e morte: as Salomés de Oscar Wilde, Flaubert, Huysmans e Mallarmé
  3. Lascivas, vingativas: as falenas de Varela e Alencar, as bacantes de Machado de Assis
  4. A morta em êxtase: as danças infernais de Júlia Lopes de Almeida e Raduan Nassar

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Formulário para participar da aula aberta - SALOMÉ EM CENA: a dança e o trágico na arte e na literatura